quinta-feira, 18 de junho de 2015

Filosofia e futebol !

Sócrates.

Por ouvir os sinos meu cachorro correu na tempestade !

Estar em paz consigo e com o mundo é coisa boa,
mas quando o mundo e nós mesmos somos injustos,
esta paz está mais próxima da cumplicidade que da sabedoria.

Da estrada aberta e percorrida !

A natureza é sábia... Nos proporciona o esquecimento!

A passagem

Já que a felicidade não é fácil, pelo menos não dificulte.
Nem para vc, nem para os demais.
Sob os nossos pés há uma ponte e o caminho é um e não é. E é eterno !

sábado, 13 de junho de 2015

O Tao.

"Trinta raios convergentes no centro tem uma roda
mas somente o vácuo entre os raios
é que facultam seu movimento.
O oleiro faz um vaso manipulando a argila
mas é o oco do vaso que lhe dá utilidade.
Paredes são massas com portas e janelas
mas somente o vácuo entre as massas lhes dá utilidade.
Assim são as coisas físicas
que parecem ser o principal
mas seu valor está no metafísico "

Lao Tsé - Tao Te Ching

Darmapada

"Não as imperfeições dos outros,
não o que fizeram ou não,
mas em nós próprios apontemos
o que foi feito ou não o foi."

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Parábola !

No princípio era o verbo!
Era um mar de pedregulhos, todos seguros de si fincados na areia, imutáveis.
Há quem diga que eram dogmas católicos e as pessoas acreditavam...
"Creio porque absurdo"!
Tão na areia fincados como barro que não davam conta do vento e se desfaziam em juízos.
Por entre as frestas, entulhos e um conjunto de sons zumbindo, latindo, rangendo... conjuntos vários, complexos, frágeis, como que nascidos de um sonho.
Balançando ao vento, comungavam com tudo que se desmancha eram feitos de humor e de açucar. Das bocas escancaradas, acostumadas a mal-dizer, mal-querer, mal-beijar uma única palavra escapa: Blasfêmia! _ Chamem a Inquisição!
Gritou o cardeal, cercado de leões de fraque.
Um filhote de leão discordou do pai.
O pai eterno coçou a cabeça... era um mar de pedregulhos cercado de poesia.
E no princípio era o verbo, que não vivia sozinho!

Novembros

" Se eu gostar de você meu bem e fores feia feia como a morte
falsearei esta beleza atroz e te farei bela como a sorte "

 Os festivais se sucedem em Novembro!
Agora estamos no Festival Recife do Teatro Nacional.
Você poderá encontrar os artistas, produtores, satélites e outros boêmios na rua da moeda.
Alguns vão direto ao assunto:
Você gostou? Não gostou? Eu gostei! Não gostei! E assim vai...
Parece ser uma característica muito comum, por aqui, detonar espetáculos alheios.
É uma pena!
A falta de reflexão profunda quase sempre se faz presente na maioria das críticas, numa atitude carente de rigor intelectual, às vezes notadamente infantil, outras, infelizmente, invejosa.
Recife acostumou-se com a síndrome do caranguejo manco...
É possível gostar de algo que não é bom e também detestar coisas maravilhosas, mas é suficiente este critério para avaliar nossos trabalhos ou o do outro, em arte?
Podemos reconhecer o valor de uma coisa ainda que não apreciemos a coisa em si, (Kant não me perdoará pela falta de rigor filosófico) podemos contextualizá-la.
Somos nós a medida da arte? Gosto, logo existo! E a alteridade?
Vi recentemente dois espetáculos , que me parecem um avanço no teatro infantil de Pernambuco... Não são os únicos! Ainda bem!
 Pode-se perceber um cuidado com a criança, seus modos de participar e ver a arte, a maneira como se encanta ou se afasta (algumas choram, riem, participam).
"Historinhas de Dentro" e "Outra vez era uma vez..." são peças bem cuidadas, que abordam temas difíceis como a morte e a doença.
O que isto tem a ver com as idéias de Marco Camaroti sobre teatro infantil?
Talvez nada... ou quem sabe podemos confrontar os espetáculos citados, com estas idéias e encontrar melhor fundamento para nossas opiniões?
É um caminho, não é o único, nem digo que seja o melhor...
Traga sua contribuição e vamos fiando nosso quadro de cena.
Ah! Fico devendo a "Síndrome do caranguejo manco" e "Kant e a coisa em si"
 Um abraço

Etc e Tal - Passeio

É um novo dia!
Nós atravessamos as pontes e observamos as águas, o cheiro fétido nos ataca.
Os mercados de São José, Boa Vista, Santo Amaro, Casa Amarela e outros...são uma teia, cheios de moscas, mondrongos e brilhantes coisas.
Um passo à frente e ela jogaria o papel no lixeiro, mas não!
Na folha estava escrito um manifesto, um poema ou uma receita de lentilhas com casca de laranja. Um manifesto a favor dos manifestos, dos poemas, das lentilhas e laranjas.
Tudo está nos mercados, nos bairros, ou deveria.
Quanto custa uma dúzia de bananas no Ibura?
E a exposição passa pelas belas galerias fluviais, até o mar...serpenteando entre vi não vi gostei não gostei
De cada lugar se desprende um sem fim de energia, de luz, de criação.
A aranha tece a teia que tece a aranha ( O Capital, TOMO XXI, Cap. 123).
Os barquinhos deslizam nas teias dos rios, sobem e descem a remo.
Nos braços, novos coletivos os impulsionam.
Enquanto isso as torres gêmeas - carinhosamente chamadas de Sandy e Junior pelos neoboêmios- elevam-se no aterro.
E os impertinentes gritam: "Osama nas Alturas" Kabum!
Ela caiu num buraco de pedras portuguesas, que aqui chamamos calçada.
Estava de plataforma de embarque e desembarque.
Ancoramos no porto digital e vamos torcer para uma peça boa no centro Apolo-Hermilo.
Pagando o ingresso.
Depois amarra a fitinha do Senhor do Bonfim no Pátio de São Pedro e estica até a Várzea,
Bomba do hemetério, Bongi e Alto do Capitão.
E se nossos coletivos fossem para os bairros?
O papel finalmente caiu na lama, desprendendo um sem fim de energia!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Enquanto isso na sala do Magiluth...

Projeto Paralelo - Coletivo Nó - Shakespeare.

O que vc faz com pessoas que dizem que antes de tudo são amigas?
Convida as mesmas para fazer um leitura dramatizada de Shakespeare, claro.
Não? Bem, eu segui este caminho e convidei o Coletivo Nó para esta empreitada.
Gosto de compartilhar meu apreço pelo dramaturgo inglês com outros artistas, desmistificando
qualquer impressão de imensa dificuldade em Shakespeare.
Muitas pessoas dizem isso... como é difícil! É muito complexo! E assim vai.
Quanto à complexidade não tenho dúvidas, mas difícil é aquela desculpa que a gente dá
quando o esforço exigido é um pouquinho maior do que o rotineiro.
Alguém desiste de uma pessoa amada por achar difícil conquistá-la?
Desiste de um sonho? Sim !
E depois é só viver com as escolhas que fez... ou não fez.
Um grande artista tb tem a dimensão de grandes relacionamentos, descobrir, encobrir,
amar, odiar, seduzir... a arte e os grandes artistas tem demônios que só os apaixonados
podem ver, só eles ardem deste fogo.
Que os deuses livrem vcs de alguém que não te cobra nada,
não tem um tiquinho que seja de ciúme. A grande arte é chama.
Vamos deixar o leite para as crianças...
O que vem a ser a amizade? Um cristal belo e fininho que quebra com qualquer coisa?
Que material humano foi este que Shakespeare trabalhou?
Iago, Cordélia, Hamlet não poderiam viver no apartamento do lado?
Todo sentimento, todo humano, carece tb de maturar de crescer,
de abandonar a infância eterna e arder como coisa cheia de encanto,
de luz, de sangue, de sexo e mistério.
Grandes amizades é o que desejo para o Coletivo Nó...
Shakespeare é uma delas. Se fizermos as escolhas certas
possivelmente vamos sair deste processo melhores artistas e mais humanos.
O que não deve ser confundido de maneira alguma com " mocinho" de novela...
eu detesto os bonzinhos de novela, unidimensionais, inverossímeis, chatos.
Ah, mas Ofélia a louca, esta eu poderia amar...
Eu amaria Cordélia e Lady Macbeth e provavelmente iria com Iago
tomar um chopp no central.
São as dimensões humanas profundamente ricas, suas matizes, penumbras,
recônditos, deslumbres, que Shakespeare traduziu em suas obras.
Quanta magia em Próspero, quanta sandice em Lear, quanta grandeza.
Se encontramos dificuldade em Shakespeare e outros como ele, devemos ficar atentos
para saber se a culpa não é dos nossos dias pequenos,
da nossa educação terrível, mediana, de formar operário padrão.
Ninguém deveria ser obrigado a ler Shakespeare, Machado, Guimarães Rosa...
não se pode obrigar quem quer que seja a ter um grande amor.
Aquele que encontrou este amor, encontrou um tesouro... melhor que ele brilhe.
Que tudo seja cobrado do Coletivo Nó... tudo que é humano, afoito, misterioso.
Que lhes seja exigido esforço, beleza e chama.
isto é o mínimo que vc pode fazer por pessoas que se dizem amigas.


Ana Julia, eu não expliquei nada sobre a criança...?
Quem quiser arrisque alguma coisa sobre verdade e verossimilhança.
Não esqueçam da poética de Aristóteles.



Projeto Paralelo é o novo trabalho de Elias Mouret.
O Coletivo Nó foi convidado para fazer uma leitura dramatizada de Shakespeare.
As leituras dramatizadas são uma parceria com o SESC e a Livraria Cultura.
Nós ensaiamos na sala do grupo Magiluth.
Eu agradeço de coração a Rita Marize (Sesc Santa Rita)
a Giordano Castro e demais membros do Magiluth. Evoé!


eliasmouret