É preciso estabelecer nos editais um percentual mínimo de pagamento aos artistas criadores !
A atividade artística não pode servir como mão de obra barata e trampolim de outras atividades.
Economicamente é preciso poder viver com dignidade desta atividade e sem observar a problemática dos editais isso é cada vez mais difícil.
Editais que não permitem, por exemplo, formação de capital naquela cadeia produtiva ou que se tornam um meio de vida para poucos e não um verdadeiro sistema de apoio a cultura, trazem mais problemas que benefícios.
.........................................................................................................................................
As empresas que fazem parte do supersimples não podem participar da lei Rouanet, mas bancos que lucram bilhões, podem. Vc sabia ? O que acha disso ?
Vc percebe que o problema não tem nada a ver com os artistas, mas com um modelo de apoio e concentração de renda sempre para os mesmos que este país vive desde Cabral ?
Vc sabia que o grosso do investimento da lei Rouanet, coisa assim de 80% se concentra no eixo Rio-São Paulo ?
Vamos discutir políticas públicas para a cultura !
..........................................................................................................................................
Há na lei Rouanet projeto de milhões onde o "custo" dos artistas não chega a 5% do projeto. Vc entende que o artista não é um vagabundo e tem muito caroço nesse angu? Só lembrando que sem os artistas o tal "projeto" não existiria. Nós temos que parar de ser a mão de obra barata nestes editais.
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São estes shows milionários pagos com recursos públicos , que só servem de showmícios para prefeitos, que precisam acabar e não o ministério da cultura. São os aproveitadores e atravessadores que realizam projetos milionários com ou sem incentivo e pagam uma miséria aos artistas locais que precisam ser combatidos. São as distorções do financiamento regional, da ausência das pequenas empresas e do uso dos artistas como mão de obra barata por alguns projetos da lei Rouanet que precisam acabar...
terça-feira, 21 de junho de 2016
sexta-feira, 10 de junho de 2016
O Palco que piso... Por Moacir Japearson.
O palco que piso nos ensaios é um palco imaginário, não seria o palco real do chão cheio de estrelas da música de Silvio Caldas, mas é tão vivo e lindo quanto o da música. Elias me convidou para fazer teatro e começar com um texto de Shakespeare. Elias é um louco mas nesse assunto tocarei depois.
Eu nunca pensei fazer teatro na vida e não sei porque Elias acha que sou capaz de fazê-lo mas isso também é uma coisa que não saberia dizer, somente ele poderia explicar.
Nao sei que tipo de coincidência divina se deu mas o convite me veio depois que conheci o Teatro de Epidauros, no santuário de Esculápio, deus da medicina. Lá descobri pela primeiríssima vez que os gregos tratavam as pessoas pelo teatro; o teatro fazia parte da terapia de cura, principalmente para as enfermidades da alma, ainda no século 13 antes de cristo. Quando estive lá e pisei naquele teatro pensei imediatamente em todas as vezes que saímos de casa e buscamos ver alguma peça teatral, nessas tantas vezes que vamos ao teatro na vida. Pensei em que consiste hoje, modernamente, o teatro na vida das pessoas e que cura esse teatro pode fazer nas nossas almas agitadas desse cotidiano moderno, sem respiro para quase nada. Será que o teatro hoje nos serve como terapia divina, ou ele é somente um meio de saímos de nossas casas numa sexta-feira à noite?
Nao concatenei a coincidência ainda, mas assim que voltei Elias me propôs ensaiar um papel no teatro. Eu, sinceramente, achei que ele estivesse brincando. Perguntou se eu toparia, e eu como dificilmente sei dizer não, disse que sim. E me entregou um papel com o texto e marcamos o primeiro ensaio.
O ensaio se deu em uma sala de chão cinza , coberto com um material plástico em boa parte, da cor azul. O meu teatro elisabetano tem um palco pequeno para um papel enorme: farei Iago, da obra “Otelo, o mouro de Veneza”. Vocês também devem concordar agora comigo quando falei que Elias é um louco. Sim, um louco por chamar um aprendiz para um papel desses. Mas compreendi com o passar dos dias que a loucura de Elias é benevolente e filantrópica por natureza pois ele bebe dos gregos e para ele o teatro também cura, se não pessoas, mas uma cidade inteira. Elias está tentando reavivar o teatro quase morto da nossa cidade, um teatro que já foi vivíssimo e pungente na década de oitenta e noventa do outro século. Elias é um trabalhador braçal nessa questão e com o grupo 4noPorão está resgatando um pouco dessa história.
Cada vez que piso no meu palco imaginário para ensaiar aprendo que o teatro é sublimador, cheio de riquesas e detalhes e que o ator é um ofício acima de todos os ofícios, que ser ator não é fácil ao mesmo tempo que não é terreno, não é humano, é divino e curador como os gregos acreditavam.
Ser ator é um estágio a mais na existência humana e um bom ator no palco é a encarnação de vários deuses. E o que estamos fazendo é tentar resgatar essa experiência que só quem pisa em um palco deve saber. Eu ainda não pisei no palco, mas estamos nos preparando, músculo a músculo, voz a voz, corpo a corpo para que esse nosso teatro cure a todos da monotonia dos venenos cotidianos que intoxicam as almas, mesmo que elas não se percebam disso. Tudo isso fazemos por nós, por vocês e pela alma ainda viva do teatro.
Eu nunca pensei fazer teatro na vida e não sei porque Elias acha que sou capaz de fazê-lo mas isso também é uma coisa que não saberia dizer, somente ele poderia explicar.
Nao sei que tipo de coincidência divina se deu mas o convite me veio depois que conheci o Teatro de Epidauros, no santuário de Esculápio, deus da medicina. Lá descobri pela primeiríssima vez que os gregos tratavam as pessoas pelo teatro; o teatro fazia parte da terapia de cura, principalmente para as enfermidades da alma, ainda no século 13 antes de cristo. Quando estive lá e pisei naquele teatro pensei imediatamente em todas as vezes que saímos de casa e buscamos ver alguma peça teatral, nessas tantas vezes que vamos ao teatro na vida. Pensei em que consiste hoje, modernamente, o teatro na vida das pessoas e que cura esse teatro pode fazer nas nossas almas agitadas desse cotidiano moderno, sem respiro para quase nada. Será que o teatro hoje nos serve como terapia divina, ou ele é somente um meio de saímos de nossas casas numa sexta-feira à noite?
Nao concatenei a coincidência ainda, mas assim que voltei Elias me propôs ensaiar um papel no teatro. Eu, sinceramente, achei que ele estivesse brincando. Perguntou se eu toparia, e eu como dificilmente sei dizer não, disse que sim. E me entregou um papel com o texto e marcamos o primeiro ensaio.
O ensaio se deu em uma sala de chão cinza , coberto com um material plástico em boa parte, da cor azul. O meu teatro elisabetano tem um palco pequeno para um papel enorme: farei Iago, da obra “Otelo, o mouro de Veneza”. Vocês também devem concordar agora comigo quando falei que Elias é um louco. Sim, um louco por chamar um aprendiz para um papel desses. Mas compreendi com o passar dos dias que a loucura de Elias é benevolente e filantrópica por natureza pois ele bebe dos gregos e para ele o teatro também cura, se não pessoas, mas uma cidade inteira. Elias está tentando reavivar o teatro quase morto da nossa cidade, um teatro que já foi vivíssimo e pungente na década de oitenta e noventa do outro século. Elias é um trabalhador braçal nessa questão e com o grupo 4noPorão está resgatando um pouco dessa história.
Cada vez que piso no meu palco imaginário para ensaiar aprendo que o teatro é sublimador, cheio de riquesas e detalhes e que o ator é um ofício acima de todos os ofícios, que ser ator não é fácil ao mesmo tempo que não é terreno, não é humano, é divino e curador como os gregos acreditavam.
Ser ator é um estágio a mais na existência humana e um bom ator no palco é a encarnação de vários deuses. E o que estamos fazendo é tentar resgatar essa experiência que só quem pisa em um palco deve saber. Eu ainda não pisei no palco, mas estamos nos preparando, músculo a músculo, voz a voz, corpo a corpo para que esse nosso teatro cure a todos da monotonia dos venenos cotidianos que intoxicam as almas, mesmo que elas não se percebam disso. Tudo isso fazemos por nós, por vocês e pela alma ainda viva do teatro.
quarta-feira, 8 de junho de 2016
quinta-feira, 2 de junho de 2016
terça-feira, 31 de maio de 2016
MilkShakespeare.
Teatro é um espaço de encontro.
Um processo de construção, desconstrução e feitura de sentidos.
MilkShakespeare é uma contribuição ao teatro de grupo da cidade e uma abertura para a dramaturgia universal.
É desta forma que a companhia de teatro 4noPorão se posiciona... espaço de encontro, fazer, pesquisa.
Nossa peça se desenrola em trechos diversos de Shakespeare, como um vislumbre, uma percepção fantasmagórica, um momento sublime.
MilkShakespeare é também um teatro que prima pelo ator, sua presença e formação. São passos pequenos, nós ensaiamos em Garanhuns e pensamos no mundo, no universal.
Teatro é um espaço de encontro.
Um processo de construção, desconstrução e feitura de sentidos.
MilkShakespeare é uma contribuição ao teatro de grupo da cidade e uma abertura para a dramaturgia universal.
É desta forma que a companhia de teatro 4noPorão se posiciona... espaço de encontro, fazer, pesquisa.
Nossa peça se desenrola em trechos diversos de Shakespeare, como um vislumbre, uma percepção fantasmagórica, um momento sublime.
MilkShakespeare é também um teatro que prima pelo ator, sua presença e formação. São passos pequenos, nós ensaiamos em Garanhuns e pensamos no mundo, no universal.
domingo, 5 de julho de 2015
Neblina e Sombras.
Estes dias a cidade esteve envolta em neblina.
É das coisas que se vê por aqui o que mais gosto. É uma dádiva da natureza.
Quando a maioria dorme ou assiste sua tv , caminho dentro da noite e observo...
Estou de volta a este lugar depois de tantos anos.
Viajei, conheci outros lugares e outras pessoas, mudei bastante, mas de certa forma
permaneci acreditando em muitas coisas do passado.
Sempre que chove ou que a neblina desce, gosto de caminhar
pelas ruas da cidade e refletir, gosto de dilatar o tempo
e aprimorar o olhar sobre os lugares, as pessoas, sobre mim mesmo.
Aprecio dentro da neblina o contraste entre árvores, luzes e sombras
e me recrimino por não ser um bom fotógrafo e pior cronista.
Das colinas observo as luzes artificiais que desenham o que chamamos cidade.
Tudo parece colaborar para o aconchego, o estar junto,
um chocolate quente, um vinho, uma presença.
A neblina porém revela e esconde.
Quando mais jovem e participando de toda sorte de movimentos sociais,
religiosos, culturais, contestatórios,
comecei a andar pelos bairros menos favorecidos da cidade...
Ah, sim tive que deixar o "eixo monumental" da Rui Barbosa
e adjacências.
Era preciso para que me sentisse completo e mais humano
conhecer a Liberdade, a Cohab I, a Boa Vista, os becos de Heliópolis, o Indiano.
Lugares e pessoas tão próximos, tão distantes.
Conheci e amei pessoas maravilhosas nestes lugares,
reconfigurei meu olhar para o outro, para sua casa, para os seus
e de certa forma descobri um caminho mais tolerante e amoroso.
Descobri também o imenso preconceito com os mais pobres
do lugar e de todos os lugares... Todas as caras do preconceito,
suas justificativas, seu desprezo.
Em meio a neblina percebi uma miséria escondida entre as sete colinas,
um quê de tristeza de crianças que não tem um casaco para o frio.
Logo o frio, a chuva, a neblina que eu amava...
A natureza é inocente, porém.
É da humanidade, do nosso caminhar na noite fugidia, que vem os tormentos...
Sim, e eles existiram.
Ao deixar esta casa depois de anos de lutas
parti para minha jornada de vida comunitária com um certo amargor
na boca. Era para mim difícil de acreditar que as pessoas
não estivessem dispostas a compreender o meu caminho...
Fui ver e experimentar o que é viver em comunidade.
E isto,esta vivência preciosa, curou-me.
Aprendi sobre o perdão e sobre a festa.
Sobre a importância do prazer do espírito, mas também do corpo,
tão negligenciado ou atacado pelas religiões.
A importância do sorriso, do estudo, da solidão e da presença.
Abençoado por todas as divindades da natureza, da mente, do existir e do não existir
encontrei neste mundo, pelas estradas, gente elevada.
Uma sabedoria acompanhada de exemplo, palavras, silêncio,sorriso e tranquilidade.
É por eles, que creio na humanidade.
Não são os odiosos, os vingativos, os mentirosos que construirão
um mundo melhor. A raiva é uma péssima argamassa.
Hoje, vejo que nos é apresentado constantemente um mundo odioso
onde as respostas são a vingança, o desprezo pelo outro, a incompreensão,
a intolerância religiosa, o racismo, a homofobia e uma profusão de coisas semelhantes.
Neste retorno a esta casa, vi como alguns companheiros
de jornadas antigas, se perderam nestes discursos de ódio
travestidos de justiça.
Como manipulados por líderes irresponsáveis e que só pensam em si mesmos,
tem alguns dos meus amigos, destilado um rancor,
um pensamento estreito, um dogmatismo fanático.
Outros se converteram sabe-se lá ao quê e se julgam puros.
Iluminados, quem sabe.
Alguns questionam abertamente minha espiritualidade difusa e não religiosa
como coisa inútil.
Penso que o caminho que nos querem mergulhar é um caminho de afogados
e quero chamar a atenção para a importância da
compaixão e vida comum.
Não é apenas com acertos em questões econômicas
que faremos uma vida melhor e por "vida" aqui, tomo todas as dimensões possíveis,
do alimento, da arte, do corpo que ama, do espírito elevado, do saber, da ciência...
É preciso não confundir vida com existência.
E nem no pior dos pesadelos supor que é o Congresso Nacional
quem deve determinar como vc trata os outros.
Quem é e quem não é família, por exemplo.
As comunidades são famílias. Suas experiências podem ser úteis
aqueles que desejam rever seu modo de viver neste mundo.
Onde está escrito que só há uma maneira de ser feliz?
Por meus amigos, os velhos e os novos, caminho na neblina outra vez.
Nos encontraremos na noite iluminada e etérea,
temos muitos contos para compartilhar em torno desta fogueira.
É das coisas que se vê por aqui o que mais gosto. É uma dádiva da natureza.
Quando a maioria dorme ou assiste sua tv , caminho dentro da noite e observo...
Estou de volta a este lugar depois de tantos anos.
Viajei, conheci outros lugares e outras pessoas, mudei bastante, mas de certa forma
permaneci acreditando em muitas coisas do passado.
Sempre que chove ou que a neblina desce, gosto de caminhar
pelas ruas da cidade e refletir, gosto de dilatar o tempo
e aprimorar o olhar sobre os lugares, as pessoas, sobre mim mesmo.
Aprecio dentro da neblina o contraste entre árvores, luzes e sombras
e me recrimino por não ser um bom fotógrafo e pior cronista.
Das colinas observo as luzes artificiais que desenham o que chamamos cidade.
Tudo parece colaborar para o aconchego, o estar junto,
um chocolate quente, um vinho, uma presença.
A neblina porém revela e esconde.
Quando mais jovem e participando de toda sorte de movimentos sociais,
religiosos, culturais, contestatórios,
comecei a andar pelos bairros menos favorecidos da cidade...
Ah, sim tive que deixar o "eixo monumental" da Rui Barbosa
e adjacências.
Era preciso para que me sentisse completo e mais humano
conhecer a Liberdade, a Cohab I, a Boa Vista, os becos de Heliópolis, o Indiano.
Lugares e pessoas tão próximos, tão distantes.
Conheci e amei pessoas maravilhosas nestes lugares,
reconfigurei meu olhar para o outro, para sua casa, para os seus
e de certa forma descobri um caminho mais tolerante e amoroso.
Descobri também o imenso preconceito com os mais pobres
do lugar e de todos os lugares... Todas as caras do preconceito,
suas justificativas, seu desprezo.
Em meio a neblina percebi uma miséria escondida entre as sete colinas,
um quê de tristeza de crianças que não tem um casaco para o frio.
Logo o frio, a chuva, a neblina que eu amava...
A natureza é inocente, porém.
É da humanidade, do nosso caminhar na noite fugidia, que vem os tormentos...
Sim, e eles existiram.
Ao deixar esta casa depois de anos de lutas
parti para minha jornada de vida comunitária com um certo amargor
na boca. Era para mim difícil de acreditar que as pessoas
não estivessem dispostas a compreender o meu caminho...
Fui ver e experimentar o que é viver em comunidade.
E isto,esta vivência preciosa, curou-me.
Aprendi sobre o perdão e sobre a festa.
Sobre a importância do prazer do espírito, mas também do corpo,
tão negligenciado ou atacado pelas religiões.
A importância do sorriso, do estudo, da solidão e da presença.
Abençoado por todas as divindades da natureza, da mente, do existir e do não existir
encontrei neste mundo, pelas estradas, gente elevada.
Uma sabedoria acompanhada de exemplo, palavras, silêncio,sorriso e tranquilidade.
É por eles, que creio na humanidade.
Não são os odiosos, os vingativos, os mentirosos que construirão
um mundo melhor. A raiva é uma péssima argamassa.
Hoje, vejo que nos é apresentado constantemente um mundo odioso
onde as respostas são a vingança, o desprezo pelo outro, a incompreensão,
a intolerância religiosa, o racismo, a homofobia e uma profusão de coisas semelhantes.
Neste retorno a esta casa, vi como alguns companheiros
de jornadas antigas, se perderam nestes discursos de ódio
travestidos de justiça.
Como manipulados por líderes irresponsáveis e que só pensam em si mesmos,
tem alguns dos meus amigos, destilado um rancor,
um pensamento estreito, um dogmatismo fanático.
Outros se converteram sabe-se lá ao quê e se julgam puros.
Iluminados, quem sabe.
Alguns questionam abertamente minha espiritualidade difusa e não religiosa
como coisa inútil.
Penso que o caminho que nos querem mergulhar é um caminho de afogados
e quero chamar a atenção para a importância da
compaixão e vida comum.
Não é apenas com acertos em questões econômicas
que faremos uma vida melhor e por "vida" aqui, tomo todas as dimensões possíveis,
do alimento, da arte, do corpo que ama, do espírito elevado, do saber, da ciência...
É preciso não confundir vida com existência.
E nem no pior dos pesadelos supor que é o Congresso Nacional
quem deve determinar como vc trata os outros.
Quem é e quem não é família, por exemplo.
As comunidades são famílias. Suas experiências podem ser úteis
aqueles que desejam rever seu modo de viver neste mundo.
Onde está escrito que só há uma maneira de ser feliz?
Por meus amigos, os velhos e os novos, caminho na neblina outra vez.
Nos encontraremos na noite iluminada e etérea,
temos muitos contos para compartilhar em torno desta fogueira.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Estrangeiros - Sobre eu Marilyn e a apple pie.
Sobre eu, Marilyn e a apple pie.
A primeira vez que estive nos Estados Unidos da América foi aos 15 anos de idade,
era uma moleca ganhando de presente uma viagem pra Disney.
Fui a única do grupo que não fez questão de tirar foto com o Mickey mouse,
os rapazes argentinos da outra excursão me chamavam mais atenção.
Depois de vinte anos em 2014 retornei aos EUA,
não sou mais moleca mas continuo trocando rapazes argentinos pelo Mickey.
Dessa vez fui visitar parentes e a necessidade de falar inglês me fez voltar novamente esse ano.
Não precisa ser um bom observador para notar que existe uma bandeira americana
a cada metro quadrado desse pais, o que faz eles afirmarem o quanto são norte americanos
e o que faz me lembrar o quanto sou estrangeira.
Krishnamurti, um educador indiano por quem eu tenho um respeito profundo
diz que nacionalismo divide seres humanos, e é verdade.
Temos que ultrapassar o campo das nossas condicionadas consciências
e nos libertar de todo o lixo cósmico que acumulamos durante nossa existência
para que o nativo e o estrangeiro habitado em nos não seja nem dentro nem fora.
Sou uma estrangeira em um pais estrangeiro,
o que remete ser a minha condição sob minha perspectiva.
No final das contas tudo sou eu, tudo é estranho e intimo.
E nada mais intimo que dirigir a 95(tipo a BR)
ouvindo Take walk on the wild side do Lou Reed entre bandeiras americanas.
E nada mais estranho do que ser uma brasileira fazendo isso.
Me disseram que quem nunca provou a apple pie (tradicional torta de maçã)
não conhece os esteites.
Como sou adepta a rituais comprei uma apple pie
e a provei sendo fitada pela beleza americana da Marilyn
( tenho uma foto dela no meu quarto).
Ela me dizia sussurrando como se falasse para o Kennedy :
Devore a América girl! Devore a América baby!
Quebec Xavier eh formada em cênicas,
trabalha com animais, estuda mitologia grega e língua inglesa.
Se considera uma filha do mar da arte e de marte. (necessariamente nessa ordem)
A primeira vez que estive nos Estados Unidos da América foi aos 15 anos de idade,
era uma moleca ganhando de presente uma viagem pra Disney.
Fui a única do grupo que não fez questão de tirar foto com o Mickey mouse,
os rapazes argentinos da outra excursão me chamavam mais atenção.
Depois de vinte anos em 2014 retornei aos EUA,
não sou mais moleca mas continuo trocando rapazes argentinos pelo Mickey.
Dessa vez fui visitar parentes e a necessidade de falar inglês me fez voltar novamente esse ano.
Não precisa ser um bom observador para notar que existe uma bandeira americana
a cada metro quadrado desse pais, o que faz eles afirmarem o quanto são norte americanos
e o que faz me lembrar o quanto sou estrangeira.
Krishnamurti, um educador indiano por quem eu tenho um respeito profundo
diz que nacionalismo divide seres humanos, e é verdade.
Temos que ultrapassar o campo das nossas condicionadas consciências
e nos libertar de todo o lixo cósmico que acumulamos durante nossa existência
para que o nativo e o estrangeiro habitado em nos não seja nem dentro nem fora.
Sou uma estrangeira em um pais estrangeiro,
o que remete ser a minha condição sob minha perspectiva.
No final das contas tudo sou eu, tudo é estranho e intimo.
E nada mais intimo que dirigir a 95(tipo a BR)
ouvindo Take walk on the wild side do Lou Reed entre bandeiras americanas.
E nada mais estranho do que ser uma brasileira fazendo isso.
Me disseram que quem nunca provou a apple pie (tradicional torta de maçã)
não conhece os esteites.
Como sou adepta a rituais comprei uma apple pie
e a provei sendo fitada pela beleza americana da Marilyn
( tenho uma foto dela no meu quarto).
Ela me dizia sussurrando como se falasse para o Kennedy :
Devore a América girl! Devore a América baby!
Quebec Xavier eh formada em cênicas,
trabalha com animais, estuda mitologia grega e língua inglesa.
Se considera uma filha do mar da arte e de marte. (necessariamente nessa ordem)
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Festival de Inverno e Políticas de Cultura.
Aproxima-se o 25º Festival de Inverno de Garanhuns.
A cidade fica cheia de gente de diversos lugares, tribos, tendências,
parece respirar um ar mais aberto para as diferenças, para o novo,
para a arte que se apresenta de muitas maneiras e por um breve momento,
durante estes dias, torna-se um importante epicentro de difusão cultural,
Palcos para shows musicais, teatro, dança, circo se espalham pela cidade.
Há atividades de moda, fotografia, performances,
literatura e tudo mais que se queira ver,
mas os dias do festival passam rápido...
É neste momento que nossa reflexão se apresenta começando por propor
uma importante abertura para a auto-crítica que não parece muito em voga.
Há quem deteste críticas a cidade e parta logo para levantar slogans
"A cidade que queremos" a " A cidade da Garoa",
" O maior Festival da América Latina" e por aí vai...
Isto não lembra vcs do "Brasil, ame-o ou deixe-o' ? Da ditadura militar?
Não se trata de prática muito presente de detonar a cidade,
a programação do festival, a Fundarpe ou qualquer coisa do gênero,
mas de estabelecer uma crítica propositiva
que nos leve a sair desta situação incômoda de termos um grande
festival durante dez dias e pouquíssima produção cultural,
apoio inexistente aos artistas locais
e pouca presença no cenário cultural do estado e do país,
durante todo o resto do ano.
Uma instituição, um lugar, um povo, um indivíduo que não se pensa
que não lança um olhar apurado sobre si mesmo,
não pode avançar e aperfeiçoar-se.
É sobre isso que quero convidar vc a refletir.
Vamos começar com a imensa imaturidade de não perceber
o festival como um todo e focar quase sempre nas atrações para
a esplanada?
Um evento deste porte com ações de formação excelentes
e grande parte das pessoas e imprensa da cidade
focando apenas nas atrações principais da grande praça?
As atrações que fazem parte do mainstream cultural?
Colocar, por exemplo, os artistas da cidade para tocar as 22h
com uma praça vazia, é sensato? Isto divulga o trabalho deles?
Garanhuns recebeu apresentações maravilhosas de artistas consagrados
no mundo todo e que se apresentaram para gatos pingados
pq a formação estética deficiente não consegue lançar um olhar
sobre aquilo que não é pisado e repisado pela mídia...
Também pq não estavam na "praça principal".
Qual a praça principal?
Pode ser a "Praça da Palavra" não é mesmo?
É este um ponto importante a ser abordado:
Depois de 25 anos de festival é possível perceber
um olhar esteticamente mais educado do nosso povo?
Sim, pq estética, política, religião e tudo o mais se discute...
Conseguimos transformar o ethos social da cidade, profundamente machista
num ethos social abeto a diversidade que percebemos durante os dias
do festival de inverno?
Os 25 anos de festival fizeram da nossa cidade um lugar melhor
para seu povo? Qual o impacto permanente do festival de inverno
nas periferias , por exemplo?
Não basta se preocupar no que vai na praça grande,
como quem se preocupa do que vem da casa grande.
Precisamos de um olhar plural que enfoque:
-A formação permanente dos agentes culturais.
-O apuro do olhar.
- O apoio financeiro, com uma legislação funcional, para a criação
artística local, possibilitando desenvolvimento e autonomia sem apadrinhamentos.
- Um programa eficiente de gestão pública cultural
e gestão pública de equipamentos culturais,
que envolva entre outros, patrimônio material e imaterial, preservação da memória,
funcionamento permanente de equipamentos culturais,
acessibilidade nestes mesmos equipamentos,
competência e visão na gestão.
-Inserir a produção cultural local em circuitos regionais, estaduais e nacionais.
Não é possível mais que a cidade permaneça ausente
das políticas públicas federais e estaduais e sem uma política pública municipal
clara, elaborada com a sociedade civil organizada,
que leve em consideração os anseios do povo e dos artistas locais.
Não é possível que a cidade não se insira de forma vigorosa
nos circuitos culturais do país.
Precisamos pensar a cidade regionalmente e aqui entra também
a importante regionalização do Funcultura, tão falada e que nunca se concretiza.
Este fundo é hoje o principal mecanismo de financiamento a cultura do estado
e tem baixíssima presença o interior...
Sem pressão política a regionalização do funcultura não sai !
Não é possível construir uma política publica de cultura
sem considerar o financiamento dos artistas e dos equipamentos.
Nosso centro cultural está caindo aos pedaços.
Precisamos aprimorar no festival as questões transversais...
Criação artística, gênero, renda, machismo, juventude, tá tudo ligado.
Acredite, a parte onde os hotéis ficam cheios é a menos importante.
Um festival como este pode mover energias estagnadas na cidade,
energias do bem ( que em tempos de fanatismo estamos muito precisados).
Uma espécie de "força vital" para construir, para estruturar um lugar melhor...
Vamos fazer esta discussão? Trazer bons argumentos?
Durante este festival vá para o show de uma banda desconhecida...
Vá ao circo e ao palco de dança...
Vá ao teatro ( seja lá onde ele estiver).
Faça amizade com alguém de fora desta cidade...
Cultive.
Aprecie a criação local. Há aqui bons artistas plásticos, músicos, escritores...
Posso indicar alguns.
Pense se, como e pq o festival precisa fazer de nossa cidade
um lugar melhor para as crianças, os jovens, os velhos, as mulheres.
Misture-se com as diversas tribos da praça, sem preconceitos.
Faça uma oficina cultural ( normalmente acontecem no colégio Santa Sofia).
Que este seja o começo de um bom diálogo.
A cidade fica cheia de gente de diversos lugares, tribos, tendências,
parece respirar um ar mais aberto para as diferenças, para o novo,
para a arte que se apresenta de muitas maneiras e por um breve momento,
durante estes dias, torna-se um importante epicentro de difusão cultural,
Palcos para shows musicais, teatro, dança, circo se espalham pela cidade.
Há atividades de moda, fotografia, performances,
literatura e tudo mais que se queira ver,
mas os dias do festival passam rápido...
É neste momento que nossa reflexão se apresenta começando por propor
uma importante abertura para a auto-crítica que não parece muito em voga.
Há quem deteste críticas a cidade e parta logo para levantar slogans
"A cidade que queremos" a " A cidade da Garoa",
" O maior Festival da América Latina" e por aí vai...
Isto não lembra vcs do "Brasil, ame-o ou deixe-o' ? Da ditadura militar?
Não se trata de prática muito presente de detonar a cidade,
a programação do festival, a Fundarpe ou qualquer coisa do gênero,
mas de estabelecer uma crítica propositiva
que nos leve a sair desta situação incômoda de termos um grande
festival durante dez dias e pouquíssima produção cultural,
apoio inexistente aos artistas locais
e pouca presença no cenário cultural do estado e do país,
durante todo o resto do ano.
Uma instituição, um lugar, um povo, um indivíduo que não se pensa
que não lança um olhar apurado sobre si mesmo,
não pode avançar e aperfeiçoar-se.
É sobre isso que quero convidar vc a refletir.
Vamos começar com a imensa imaturidade de não perceber
o festival como um todo e focar quase sempre nas atrações para
a esplanada?
Um evento deste porte com ações de formação excelentes
e grande parte das pessoas e imprensa da cidade
focando apenas nas atrações principais da grande praça?
As atrações que fazem parte do mainstream cultural?
Colocar, por exemplo, os artistas da cidade para tocar as 22h
com uma praça vazia, é sensato? Isto divulga o trabalho deles?
Garanhuns recebeu apresentações maravilhosas de artistas consagrados
no mundo todo e que se apresentaram para gatos pingados
pq a formação estética deficiente não consegue lançar um olhar
sobre aquilo que não é pisado e repisado pela mídia...
Também pq não estavam na "praça principal".
Qual a praça principal?
Pode ser a "Praça da Palavra" não é mesmo?
É este um ponto importante a ser abordado:
Depois de 25 anos de festival é possível perceber
um olhar esteticamente mais educado do nosso povo?
Sim, pq estética, política, religião e tudo o mais se discute...
Conseguimos transformar o ethos social da cidade, profundamente machista
num ethos social abeto a diversidade que percebemos durante os dias
do festival de inverno?
Os 25 anos de festival fizeram da nossa cidade um lugar melhor
para seu povo? Qual o impacto permanente do festival de inverno
nas periferias , por exemplo?
Não basta se preocupar no que vai na praça grande,
como quem se preocupa do que vem da casa grande.
Precisamos de um olhar plural que enfoque:
-A formação permanente dos agentes culturais.
-O apuro do olhar.
- O apoio financeiro, com uma legislação funcional, para a criação
artística local, possibilitando desenvolvimento e autonomia sem apadrinhamentos.
- Um programa eficiente de gestão pública cultural
e gestão pública de equipamentos culturais,
que envolva entre outros, patrimônio material e imaterial, preservação da memória,
funcionamento permanente de equipamentos culturais,
acessibilidade nestes mesmos equipamentos,
competência e visão na gestão.
-Inserir a produção cultural local em circuitos regionais, estaduais e nacionais.
Não é possível mais que a cidade permaneça ausente
das políticas públicas federais e estaduais e sem uma política pública municipal
clara, elaborada com a sociedade civil organizada,
que leve em consideração os anseios do povo e dos artistas locais.
Não é possível que a cidade não se insira de forma vigorosa
nos circuitos culturais do país.
Precisamos pensar a cidade regionalmente e aqui entra também
a importante regionalização do Funcultura, tão falada e que nunca se concretiza.
Este fundo é hoje o principal mecanismo de financiamento a cultura do estado
e tem baixíssima presença o interior...
Sem pressão política a regionalização do funcultura não sai !
Não é possível construir uma política publica de cultura
sem considerar o financiamento dos artistas e dos equipamentos.
Nosso centro cultural está caindo aos pedaços.
Precisamos aprimorar no festival as questões transversais...
Criação artística, gênero, renda, machismo, juventude, tá tudo ligado.
Acredite, a parte onde os hotéis ficam cheios é a menos importante.
Um festival como este pode mover energias estagnadas na cidade,
energias do bem ( que em tempos de fanatismo estamos muito precisados).
Uma espécie de "força vital" para construir, para estruturar um lugar melhor...
Vamos fazer esta discussão? Trazer bons argumentos?
Durante este festival vá para o show de uma banda desconhecida...
Vá ao circo e ao palco de dança...
Vá ao teatro ( seja lá onde ele estiver).
Faça amizade com alguém de fora desta cidade...
Cultive.
Aprecie a criação local. Há aqui bons artistas plásticos, músicos, escritores...
Posso indicar alguns.
Pense se, como e pq o festival precisa fazer de nossa cidade
um lugar melhor para as crianças, os jovens, os velhos, as mulheres.
Misture-se com as diversas tribos da praça, sem preconceitos.
Faça uma oficina cultural ( normalmente acontecem no colégio Santa Sofia).
Que este seja o começo de um bom diálogo.
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