Sobre eu, Marilyn e a apple pie.
A primeira vez que estive nos Estados Unidos da América foi aos 15 anos de idade,
era uma moleca ganhando de presente uma viagem pra Disney.
Fui a única do grupo que não fez questão de tirar foto com o Mickey mouse,
os rapazes argentinos da outra excursão me chamavam mais atenção.
Depois de vinte anos em 2014 retornei aos EUA,
não sou mais moleca mas continuo trocando rapazes argentinos pelo Mickey.
Dessa vez fui visitar parentes e a necessidade de falar inglês me fez voltar novamente esse ano.
Não precisa ser um bom observador para notar que existe uma bandeira americana
a cada metro quadrado desse pais, o que faz eles afirmarem o quanto são norte americanos
e o que faz me lembrar o quanto sou estrangeira.
Krishnamurti, um educador indiano por quem eu tenho um respeito profundo
diz que nacionalismo divide seres humanos, e é verdade.
Temos que ultrapassar o campo das nossas condicionadas consciências
e nos libertar de todo o lixo cósmico que acumulamos durante nossa existência
para que o nativo e o estrangeiro habitado em nos não seja nem dentro nem fora.
Sou uma estrangeira em um pais estrangeiro,
o que remete ser a minha condição sob minha perspectiva.
No final das contas tudo sou eu, tudo é estranho e intimo.
E nada mais intimo que dirigir a 95(tipo a BR)
ouvindo Take walk on the wild side do Lou Reed entre bandeiras americanas.
E nada mais estranho do que ser uma brasileira fazendo isso.
Me disseram que quem nunca provou a apple pie (tradicional torta de maçã)
não conhece os esteites.
Como sou adepta a rituais comprei uma apple pie
e a provei sendo fitada pela beleza americana da Marilyn
( tenho uma foto dela no meu quarto).
Ela me dizia sussurrando como se falasse para o Kennedy :
Devore a América girl! Devore a América baby!
Quebec Xavier eh formada em cênicas,
trabalha com animais, estuda mitologia grega e língua inglesa.
Se considera uma filha do mar da arte e de marte. (necessariamente nessa ordem)
Um comentário:
Amandoooo os posts
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