Esta semana me proponho olhar a encíclica
que o papa Francisco lançou sobre a nossa casa comum.
Trata-se de um texto interessante sobre meio ambiente,
modos de produção, um olhar sobre o mundo e a natureza
e nossas responsabilidades na destruição desta mesma casa comum.
O papa Francisco, evoca neste trecho a importante figura de Francisco de Assis
e afirma, sem erro que ele é amado por muitos que nem são cristãos,
como eu.
Penso que dessa figura mística, podemos alcançar algum entendimento e
melhor relação com o meio em que vivemos.
Se a encíclica vai por este caminho ou o abandonará
saberemos mais tarde.
Inicialmente posto um trecho da encíclica e vamos avançando...
Os que desejarem comentar fiquem à vontade.
CARTA ENCÍCLICA LAUDATO SI’
DO SANTO PADRE FRANCISCO
SOBRE O CUIDADO DA CASA COMUM
10. Não quero prosseguir esta encíclica sem invocar um modelo belo e motivador.
Tomei o seu nome por guia e inspiração,
no momento da minha eleição para Bispo de Roma.
Acho que Francisco é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil
e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade.
É o santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham
no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos.
Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus
e pelos mais pobres e abandonados.
Amava e era amado pela sua alegria, a sua dedicação generosa,
o seu coração universal.
Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade
e numa maravilhosa harmonia com Deus,
com os outros, com a natureza e consigo mesmo.
Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza,
a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior.
O seu testemunho mostra-nos também que uma ecologia integral
requer abertura para categorias que transcendem a linguagem das ciências exactas
ou da biologia e nos põem em contacto com a essência do ser humano.
Tal como acontece a uma pessoa quando se enamora por outra,
a reacção de Francisco, sempre que olhava o sol,
a lua ou os minúsculos animais, era cantar,
envolvendo no seu louvor todas as outras criaturas.
Entrava em comunicação com toda a criação,
chegando mesmo a pregar às flores
convidando-as a louvar o Senhor, como se gozassem do dom da razão.
A sua reacção ultrapassava de longe uma mera avaliação intelectual
ou um cálculo económico, porque, para ele,
qualquer criatura era uma irmã, unida a ele por laços de carinho.
Por isso, sentia-se chamado a cuidar de tudo o que existe.
São Boaventura, seu discípulo, contava que ele,
« enchendo-se da maior ternura ao considerar a origem comum de todas as coisas,
dava a todas as criaturas – por mais desprezíveis que parecessem –
o doce nome de irmãos e irmãs ».
Esta convicção não pode ser desvalorizada como romantismo irracional,
pois influi nas opções que determinam o nosso comportamento.
Se nos aproximarmos da natureza e do meio ambiente
sem esta abertura para a admiração e o encanto,
se deixarmos de falar a língua da fraternidade e da beleza
na nossa relação com o mundo,
então as nossas atitudes serão as do dominador,
do consumidor ou de um mero explorador dos recursos naturais,
incapaz de pôr um limite aos seus interesses imediatos.
Pelo contrário, se nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe,
então brotarão de modo espontâneo a sobriedade e a solicitude.
A pobreza e a austeridade de São Francisco
não eram simplesmente um ascetismo exterior,
mas algo de mais radical:
uma renúncia a fazer da realidade um mero objecto de uso e domínio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário