quarta-feira, 24 de junho de 2015

Espiritualidades e tempo !

Ontem estive num santuário, como um peregrino,
um intruso numa casa que não é sua.
Não compartilho daquela fé ou de qualquer outra,
mas ao me aproximar daquele lugar tão belo,
ao ouvir as músicas que cantavam,
pude sentir como que uma respiração universal,
uma energia que se expande.
Então, o líder religioso tomou a palavra e tristemente
como se tornou comum nestes tempos
ele falou contra os outros...
Felizmente estava chovendo e pude me distrair com a chuva.
Isto sempre acontece quando vou a lugares assim, sempre chove.
Talvez as divindade brincalhonas
saibam que a chuva me encanta,
que quando criança adorava olhar os raios,
as poças dágua, que me embevecia com o cheiro da terra molhada,
com o uivo do vento,
com as longitudes das serras...
Esta é toda minha espiritualidade, a natureza e uma mão estendida.
Nenhuma doutrina me atrai, me encanta ou aborrece,
eu olho para a vida, para os mestres, para o que se apresenta,
para as possibilidades do amor, do outro,
da ciência, da espiritualidade...
Quando vc estiver num lugar assim,
cheio de paz, de encantamento dos sentidos, de transcendência
e alguém começar a falar contra seu irmão,
observe se está covendo, com certeza, as "divindades"
estarão lá fora.
Eu manterei meu coração aberto para a "respiração universal
e as energias que se expandem"
sabendo que os sentidos são enganosos,
que líderes se equivocam,
que doutrinas são fumaça pura e que os deuses
brincam comigo na chuva entre os trovões...
Ali, onde o barulho, as luzes, o molhar-se,
o permitir-se se encontram.
Onde somos plenamente humanos e o outro
não é um fardo para nós,
mas alguém que nos estende a mão
e como criança pula conosco no abismo da vida,
numa poça dágua.

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